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Quem não sou. Verdades de uma chata
Começo de relacionamento sempre exige que a gente fique meia hora discursando sobre nós mesmos, mostrando para os outros o que somos através dos nossos próprios olhos, e isso me cansa um pouco. No fundo, eu até sei fazer isso muito bem. Até bem demais, se me perguntarem, acho que vendo uma imagem muito além daquilo que sou. Mas em uma dessas esbarrei em uma confusão mental gigantesca, engasguei, e fiquei de fato pensando em “quem sou eu?”. Daí quando vi tinha saído de um encontro em que passei meia hora rabiscando em um guardanapo tudo o que eu não era. Não, não tinha sido um encontro entediante. Tinha sido beeeem diferente, e até divertido, mas isso não importa. O que importa é, para eu não me esquecer disso:
1. Não sou a garotinha que senta do seu lado no carro e fica falando sobre qualquer coisa. “Qualquer coisa” é chato, “qualquer coisa” não me interessa. Não quero saber do que fulaninho, ator famoso fez na última semana, não quero ouvir mais uma história sem fim de um amigo seu, sub-celebridade dessa cidade parada, que eu sequer conheço. Não me afeta, não me agrega nada. Quero saber o que você acha da vida, quero saber qual foi seu caminho pra chegar até aqui. Quero saber o que você tem de único. E se não pergunto nada disso para você, nunca, é porque no fundo te acho “só mais um no monte”.
2. Não sou a garotinha que você vai encontrar todas as noites na mesma boate, falando com as mesmas pessoas. Me revolto com mesmices. Porque no fundo, o mundo é um sem fim de rostos diferentes e de opções de engrandecimento. O lugar onde “todo mundo tá” não me parece o mais atraente. As vezes estar deitada em um gramado, às 3 da manhã, com uma companhia interessante, falando sobre algo legal, rindo e me divertindo, parece muito melhor do que estar em um desses inferninhos de amizades superficiais.
3. Não gosto de superficialidades. Não gosto de coisas sem duração, não gosto de gente que entra e sai da minha vida sem mais nem menos. Sou daquelas que quando quero alguém na minha vida, quero 100%. Não tenta se manter por perto de vez em quando. Aprende que se você não der notícias, eu já tô batendo a porta e me mandando pra próxima. Tenho amigos que me conhecem minuciosamente, e todas as minhas amizades seguem essa linha. Se não for assim, não são amigos. E bem, não convido para o meu coração quem primeiro não é meu amigo. Simples assim.
4. Afeto pode parecer uma coisa impossível, porque não sou uma pessoa platônica. Não sei desenvolver sentimentos por pessoas que não conheço a fundo, ou que não demonstraram ter nenhum sentimento por mim. Só sei me render a alguém quando ela vira uma parte da minha vida, e uma parte importante. Sexo não é nada. Sexo é uma vontade que vem, a gente mata, e pronto. Sexo é a coisa mais insignificante do mundo para mim, então não ache que conquistou alguma coisa por chegar até a minha cama. O que me importa é companhia, e se um dia eu passar o braço ao redor da sua cintura no meio do shopping, encostar a cabeça no seu peito e dizer “você fez falta”, acredite, você chegou onde pouquíssimos, pouquíssimos, pouquííísimos chegaram, e com certeza fez muito, muito, muito por merecer.
5.Não sei medir carinho. Tá aí uma verdade que qualquer ex pode confirmar. Quando se vence aquela barreira impenetrável de não querer nada com ninguém e não confiar nem na minha sombra, viro insuportável. O ser mais cafona do mundo. Vivo e respiro abraços, preocupações e “eu te amo”s. Me suportem. Quem mandou?
Tudo isso não significa muito para ninguém, só para mim, então vai ai, o que sou, em todas as respostas que me lembro de ter dado, fosse sóbria ou bêbada, no primeiro ou último encontro:
1.Sou o meu próprio cavaleiro na armadura reluzente. Porque me salvei de todas quando não tinha ninguém para amparar a queda. (Claramente bêbada)
2.Sou aquele montinho despedaçado, descomposto, aquele que você passa sem nem ver, e ainda pisoteia. Sou aquela menininha que tá precisando de um abraço, de um “vai ficar tudo bem”, que só quer entender o que é que aconteceu com aqueles risos despreocupados que um dia a gente deu debaixo das estrelas ouvindo nossa banda favorita tocar no silêncio da noite mais fria dessa cidade esquecida. (Último encontro. Sóbria, mas não por opção)
3. Sou tudo o que você quer. Sou uma lady na mesa. Disserto sobre política norte-americana, a literatura de Joyce e recito Ilíada. Toco piano, canto jazz, impressiono seus pais e faço seu chefe me querer. Sou uma puta na cama, me rendo a todas as vontades e esqueço o mundo lá fora. Você vai passar um final de semana trancado em um quarto, sobrevivendo a base de Gatorades. Sou a mulher que você quer ao seu lado em qualquer exposição ou no cinema, durante aquele filme com trocadilhos canalhas e metáforas sutis. Sou a pessoa que vai te ajudar a tomar as grandes decisões e sim, a única que vai ser capaz de acabar com o tédio dessa vida de playboyzinho passando por crise da meia idade. (Visivelmente bêbada, em um primeiro encontro).
4. Quer falar de baixaria? Vamos falar de baixaria então: (CENSURADO)
5. Sou eu. Uma mineirinha que no fundo acha tudo em você muito exagerado.
6. Eu? Eu sou a menininha que está pedindo a conta. Foi bom te conhecer. A propósito… Perde o cavanhaque. Adorável. No chão.
7. Moço, seu cabelo tem mais química que o meu. Não, você não se cuida mais do que eu, mas com certeza vai notar meu esmalte descascando, minha blusa desfiando, e não, não quero acordar todos os dias meia hora antes de você só para passar maquiagem e escovar os dentes. E pelo amor de deus, dá para pelo menos dar uma amassadinha na camiseta e deixar de ser tão perfeitinho? Sim, isso é um defeito.
8. Sou uma pessoa que não faz questão que você pague a parte dela da conta, então por favor, dá pra gente ir para um lugar em que eu não tenha que me levantar para pegar minha própria comida?!?!?!?
9. Sou uma garota com preguiça de trocadilhos.
10. Sou uma pessoa que julga a pessoa pelo número de clássicos que ela leu. Sim. Pretensiosa e nojenta. Me deixa.
11. Sei variável, diferencial, e limite. O que significa que sei o básico, do básico, do básico do cálculo. Sei programar em C e me inspiro em Carpeaux. Ou seja, sou chata. Me acho ao extremo. Se não tenho nenhuma conversa profunda com você, sim, é porque te julgo. É porque te quero só para isso ou aquilo, e não como companhia de todo dia. É porque te acho um desses poços de mesmices de hoje em dia.
12. Cara, sou chata. Chata, chata, chata. Muito chata. Tenho um clubinho exclusivo. Bebo bebida de gente convencida, frequento lugar de gente convencida e só ando com gente convencida. Tudo pseudointelectual dos infernos. Você não quer minha companhia, nem minha pobreza de espírito por perto. Então vai, vai, senta em outro sofá e puxa papo com uma das outras 13 garotinhas dessa festa que tem o peito e a bunda maiores do que os meus e que com certeza irão te oferecer menos resistência. Ok?
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O real motivo da minha paixão por Grande Gatsby
Pareço uma vitrola quebrada, arranhando o mesmo disco eternamente - eu tenho consciência disso.
Falo de Grande Gatsby 24 horas por dia. Pode ser que isso pareça uma fixação infantil para o mundo inteiro, mas sei lá, tive essa necessidade súbita de traduzir o que esse livro significa para mim. Eu o li em quatro ocasiões distintas da minha vida:
Eu tinha 13 anos. Minha mãe sempre tinha tido o hábito de ler muito, e eu obviamente acabei herdando essa ‘doença’, de ler cinco livros por semana e achar pouco, porque queria viver naqueles mundos tão mais coloridos e lógicos. Acontece que até então minhas leituras se resumiam a best-sellers e livrinhos bobos, desses sem grandes profundidades, que sempre chegam ao topo da lista dos mais vendidos.
Eis que comecei meu primeiro namoro, uma história longa, muito complicada - estilo novela mexicana - e que me rendeu muitos, muitos, muitos ensinamentos.
No meio dos grandes e eternos dramas, conheci meu sogro. Definitivamente o pior pai da história da humanidade, mas um dos seres humanos mais interessantes que já conheci. Estabelecemos uma amizade muito forte, desde o começo, que floresceu entre as paredes da gigantesca biblioteca que ele mantinha na mansão a beira do lago que a família tinha construído do zero.
Eu não fazia a menor ideia de quem era Fitzgerald. Não sabia que segurava nas minhas mãos o que atualmente é considerado como um dos cinco maiores romances da história de toda a literatura. Não fui capaz de me aprofundar e perceber as metáforas, as críticas dilacerantes à nossa sociedade, não percebi o tapa na cara que aquelas palavras davam na gente. Não vi as relações com os traumas da guerra, nem as profecias do crack da bolsa. Não vi nada. Vi apenas um riquinho. Um riquinho absolutamente apaixonado. Achei bonitinho. Achei fofinho. Troquei o livro por outros. Não me afetou muito. Não li nas entrelinhas e de fato não tinha um lado muito romântico naquela época que fosse capaz de ser comovido por aquela história.
A segunda vez eu já tinha dado uma bela rodada por aí. Alguns namoros, cada um com suas particularidades. O último, em especial, tinha me deixado algumas marcas. Tiago. O grande e infame Tiago. O Tiago que peguei na cama com minha adorável princesinha. Fernandinha. Como eu tolerei suas noites de cocaína e seu legado de miséria é um mistério. Mas enfim, após essa apunhalada, sentei nos degraus de casa e em uma madrugada devorei o romance, pela segunda vez. E tudo o que me saltava aos olhos eram as traições, as dores, e eu sentia que o mundo era uma decepção. Eu sentia a raiva, sentia a frustração. Sentia o fracasso de Gatsby. Mais uma vez perdi o livro nas profundezas de uma estante qualquer.
Então entra 2010, com seu brilho, suas novidades, e o amor. Sim, porque era um ano de muitas primeiras vezes. Tinha acabado de entrar na faculdade, tirar carteira de motorista, e finalmente estava levando algum homem a sério. Um namoro que pareceu durar uma vida, um sem fim de dramas estúpidos e sem sentido, e os nervos a flor da pele. Gatsby mais uma vez, dessa vez motivado por aquela brilhante segunda temporada de Californication e então, finalmente, eu vi. O homem tão apaixonado, tão perdidamente apaixonado que todas as noites dava festas gigantescas para a convidada principal… que nunca aparecia. Nunca aparecia. Acho que é preciso estar apaixonado para se perceber a enormidade dos sentimentos de Gatsby, e a dor que era ser ele. A dor que foi a sua vida inteira. Mais uma vez o livro foi para a gaveta, junto com o namoro que me deixou apenas com uma gastrite nervosa, refluxo crônico, além de uma puta de uma confiança devastada.
E então é 2012. Estou ali, meio cínica, mas me recusando a ser. Meio insensível, mas tentando me apaixonar. Meio solitária, mas mesmo assim não deixando ninguém se aproximar. E eis que me aparece um professor que esquartejou o romance inteiro, letra por letra, deixando tudo claro, tão claro que não consegui compreender como não vi antes, toda aquela genialidade transbordando das páginas.
Então meu Gatsby é isso. É minha trajetória de vida. Sou eu inocente, logo antes das confusões começarem. Sou eu pessimista, aprendendo graves lições da vida, vendo como as pessoas podem ser cruéis quando querem. Sou eu apaixonada, flutuante, com a fé restaurada nas pessoas. Sou eu fria, objetiva. São todos os meus homens em um só. É a personificação do que eu queria ter um dia. É a única companhia que tive em um dos piores dias da minha vida, naqueles degraus gelados no meio da noite fria. É a companhia que tive em uma noite, na nossa varanda, enquanto ele dormia no quarto e eu, sozinha, enfrentava aquela insônia absurda, persistente, e tentava fugir para um outro lugar. Era eu me refugiando em mansões, na grande cidade, em loucas festas, quando o mundo parecia tão hostil, tão cinzento, tão sem-graça, tão a mesma coisa. Era eu querendo que alguma coisa fizesse sentido, que as palavras tivessem propósito, que as pessoas fossem extremas, enigmáticas. Era a minha desculpa para não confiar em ninguém. Era minha desculpa para correr atrás de um príncipe encantado. Era minha chance de ter algumas horas de brilho nos olhos.
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To every new kid waiting to mess with my head
Não me obedeça sempre. Eu adoro ser contrariada. Não herde aqueles velhos hábitos dos nossos pais, de deixar as coisas passar. Não quero alguém que me suporte, que me ature, que me faça concessões. Quero alguém que se imponha e que saiba exatamente o que quer. Tenho minha vida própria, o que significa que quando eu digo: “Passei o dia inteiro pensando em você” (e acredite, eu digo isso sempre), a verdade é que eu não pensei em você em nenhum momento do meu dia, mas quando te vi fiquei desesperada à mera realização de que o dia inteiro foi desperdiçado sem você ao meu lado. Pode não ser verdade, mas é o que eu sinto.
Me abrace mais. Minta mais, falando sobre minha beleza estonteante e meu sorriso. Amo meu sorriso e amo quem o nota. Não seja permissivo com as palavras. Não me engane. Não sinta necessidade de mentir. Não ligo se você fuma, se você pegou três loirinhas na noite passada, se bebeu até lamber o chão, se prefere passar o final de semana com seus amigos do que comigo. O que me irrita, o que me tira do sério, é não saber de nada disso. É me sentir como se estivesse fazendo o papel de otária, sem ter a menor ideia do que você anda fazendo com sua vida, achando que eu sou prioridade quando na verdade sou apenas uma diversão.
Você é apenas uma diversão. Aceite isso, o quanto antes melhor. Pode ser que eu sinta saudades daquele seu abraço reconfortante. Pode ser que eu passe noites e noites adormecendo apenas nos seus braços e te chamando de “meu bem”. Admito que são poucos os que ocupam esse espaço na minha vida, assim como são raríssimos os que conseguem ver o meu lado carinhoso, que guardo a sete chaves. O caso é que no fundo, você é passatempo, assim como eu sou para você. O que eu levo a sério é tão grande, tão enorme, que se fosse você, acredite, o mundo inteiro saberia. Quando eu levo a sério as coisas escalam a um nível desesperador, e eu te faço não apenas a pessoa mais feliz do mundo, mas me entrego em níveis que chega me assustam. Então, não. Você não é “ele”. Você é mais um. E não se preocupe, não fique queimando neurônios com isso. Esse tipo de coisa depende exclusivamente de mim, não há nada que você possa fazer para mudar. E aproveite. Ser apenas minha diversão já é algo inesquecível.
De forma prática e sincera: eu sou insuportável. Passei minha vida me cercando de homens que me veneravam, o que significa que sou mimada e estupidamente confiante. Eu não aceito migalhas. Sou daquelas que mesmo quando te dá as costas, espera que você apareça de surpresa me abraçando. Gosto de surpresas, de gentilezas, de elogios, de gente que pensa em mim 24h. Que sonha comigo. Que me quer o tempo todo. Gosto de gente que abre portas, que está sempre com os braços ao meu redor, que me puxa pela cintura, que sussurra delicadezas no pé do ouvido, que me come como se fosse seu último dia de sua vida e eu fosse a mulher mais espetacular do planeta.
Para esclarecer: Não sei dividir. Eu sou mesmo chata. Coloco etiquetinhas em potes de iogurte na geladeira, e tenho o meu lado na cama. Mas uso suas roupas, seu gel para cabelo, sua pasta de dente, como sua comida, mudo o canal da televisão quando você está assistindo um filme – bem na parte mais dramática-, não deixo que folheie os meus cadernos… Mas aprenda a lidar e seremos uma daquelas duplas insuportáveis que está o tempo todo rindo, brincando um com o outro e fazendo piada com tudo.
E sim, me surpreenda, o tempo todo. Sou do tipo que passou os últimos cinco anos revirando essa cidade, conhecendo cada buraco e cada personalidade diferente. Já conheci a vista mais bonita da cidade, já encontrei aquele xamã no alto de um monte em Cavalcante, já comi morango assistindo a uma encenação genial de Para onde vão os trens. E sim, morro de tédio do comum, do rotineiro. Não entendo gente que vai sempre nas mesmas festas, com as mesmas pessoas. Gosto de mesclar minha semana. Saio todos os dias, sempre com alguém diferente a tira colo. Vou pro samba, pro house, pro jazz, pro chorinho, pro blues, pro sertanejo, pro teatro. Já andei com esses senhores que se trancam para assistir e discutir de óperas, já participei de pelo menos três clubes de leitura diferentes. E não, não esgotei essa cidade. Gosto de escalar, de fazer SUP em manhãs ensolaradas, de correr na areia, de dirigir um 4x4 no meio da lama. Nunca tive paciência para TV, então por favor, não me chame para ficar de preguiça no sofá. Me leva pra ver a vida lá fora, me leva pra viver debaixo do Sol.
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Espasmos de prazer ao amanhecer
Os beijos no pescoço, o sussurrar no pé do ouvido e os gemidos. Aquela rotina já tão conhecida por nós que levava a gritos de prazer. Toda manhã, todo dia começando do mesmo jeito.
Pode gritar mais uma vez ‘volta’? Tô eu aqui, cansada de ser passatempo de qualquer um que tá cansado da rotina e que me procura uma vez em nunca só para afastar um pouco a solidão. Tá você ai, levando chifre toda semana com um coroa diferente. E ainda diz que sente saudade. Mas ‘não dá’. Então vamos viver de segundos eternos, de estrelas, de longas noites vividas a distância com nossas trilhas sonoras imaginadas, de muito bourbon, de muita risada falsa, de muito blues madrugada adentro. Até que as coisas mudem e o mundo pareça menos sem-graça, até que as pessoas deixem de parecer tão bobas, tão superficiais…
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And it is still love…
Uma verdade: a gente sempre acha que nosso amor é maior, e logo, por correlação, acha que nosso sofrimento é maior.
Mas quer saber? É mesmo. Cada um sofre mais do que todo o resto do mundo. Eu sei disso. Você sabe disso. Todo mundo sabe. E ainda tem gente boba como eu, que arranja um jeito bobo de prolongar o sofrimento, de remoer, de reviver cada instante de agonia e desespero, não é?
Mas sabe, acho que o tamanho do sofrimento reflete o tamanho do amor. Só quem amou de verdade sabe disso, só esses sofreram de verdade. - Porque sim, posso me esforçar ao máximo para passar a imagem de garota cool, superior e fria, distante, mas a verdade é que sou uma romântica insuperável, daquelas que faz burradas por amor, que sofre igual uma coitada, que se perde em um monte de clichês só porque tá sentindo um quentinho aqui no peito. Então com licença, mas estou em um momento particularmente sensível e ainda me apresentaram aquele maldito e tão falado “Spotted UnB”.
Ai vai o que eu andei rabiscando pelos últimos dias e ia pra gaveta com todos os outros rabiscos não fosse isso:
Eu não posso falar muito sobre isso com ninguém. Não posso ficar falando sobre nosso momentos bobos, dando risadas, rolando na cama e esquecendo do mundo lá fora. Não posso falar que a gente era insuperável e que com você do meu lado eu teria conquistado tudo - tudo mesmo. Não preciso dizer que mesmo nos dias mais miseráveis, cinzas e terríveis de nossa curta felicidade compartilhada, eu era mais feliz do que nos dias mais extraordinários que vieram depois e antes de você. Pra quê isso? Todo mundo sabe. Todo mundo sabe que antes… antes eu não sabia o que era ser feliz, e depois… depois, por mais que eu seja feliz, por mais que eu esteja muito mais leve e despreocupada do que com você, eu sempre carrego esse peso no meu peito, esse peso de saber que você está ai, em algum lugar no mundo, e eu não estou do seu lado.
Foi difícil. Difícil esquecer o garoto daquele “eu te amo” gritado no meio do asfalto em uma tarde de calor e suor, daquele sentimento que estava entalado na garganta, que explodiu e transformou tudo o que eu conhecia. Aquele “eu te amo” sussurrado no meio da madrugada, no meu ouvido, entre um sonho e o alvorecer, com aquele abraço forte, aquela sensação indescritível que era sentir seu ombro contra o meu.
Mas não tem como. Não tem como ser. Não tem como a gente ser. Não dá, não dá. Eu coloquei isso na minha cabeça mas preciso me lembrar, todos os dias. Todos os dias em que acordo e vejo que a cama está vazia. E eu entendo, de verdade, que já não é mais falta sua. É só falta de alguém, um alguém para me receber em casa no final do dia, com um abraço reconfortante, apertado, cheio de carinho. É falta de alguém para me olhar nos olhos, afastar aquela mecha irritante para trás da minha orelha e dizer como eu sou bonita para ele. É falta de tudo isso e muito, muito, ahhh, muito mais. Tão inútil tentar colocar aqui essa confusão enorme que é meu coração. Meu coração tão pequeno, tão inocente, tão bobo quando é obrigado a enfrentar tudo isso. Mas sabe, você entende, não entende? Entende que isso tem um fim. Que isso é um processo. Um processo que começou com muitas lágrimas, muita dor, que gerou noites e noites viradas, sem força, tentando achar algum sentido nisso tudo. Um processo que passou por grandes epifanias, por raiva, por humilhação, por indiferença. Um processo que tá chegando ao fim, um fim em que você já é basicamente um borrão e falta só mais um pouquinho para sumir de vez aqui de dentro… entende, né?
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Saudade
Que vem perturbar a gente quando tudo dói.
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So damn wrong
Sou a mulher errada. Preciso de novidades, senão perco o interesse. Preciso de clichês para achar que é sincero. Torço por vilões, adoro ser contrariada e bebo. Fumo. Durmo uma média de três horas por noite durante a semana. Trato minha ansiedade com comida. Até hoje falo com todos os meus exs. E meeeu, quantos exs são! Já fui babaca. Já fui cínica. Já fui canalha. I’m a mess. Só sou interessante para os homens por causa dos meus daddy issues que fazem com que eu procure desesperadamente por aprovação masculina. Me faço de distante mas a verdade é que sou uma medrosa incurável. Sou uma romântica insuportável. Com direito a todas as breguices. Até vozinha de bebê.
Falando em medos, adoro colecionar traumas. Tenho pavor de silêncios absolutos, de me entregar e de depender de outras pessoas. Tenho medo de me apaixonar, de me machucar e de fazer papel de boba. Não suporto loiras. Enfim, a menininha confiante virou uma mulher bobinha cheia de inseguranças e problemas. Igual todas as outras… Eu até me faço de poderosa, mas no fim do dia ainda quero adormecer nos braços de alguém que sussurre no meio da noite no meu ouvido ‘eu te amo’.
Sou dessas que enche a cara e vem escrever e confessar essas coisas que me ocupam os pensamentos mas que não admito para ninguém.
Estou tentando me recuperar. Procurando praticar moderações e auto-controle. Quero ver se tenho conserto. Mas acho que sim, desde que não tenha nenhuma crise de desesperos por agora. Drama free, como era. Será que rola?
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When sex is everything
Se seu homem pede para você trocar de roupa porque ela não é apropriada, troque seu homem, ele não é apropriado para você.
De vez em quando eu me revolto e pareço uma chata feminista, mas pra ser sincera, acho até as feministas chatas. Na realidade, acho quase todo mundo chato. Mas vai me dizer que você tem paciência com as garotinhas submissas que nos cercam?
Minha revolta não são as mulheres maduras que abrem mão de certas coisas conscientemente em um relacionamento, assim como seu parceiro abre mão de outras, embora eu também tenha um pouco de problemas com isso. Meu problema é com a estupidez de ser infeliz em um relacionamento e aceitar isso.
1. Medo de ficar sozinha. Querida, vá por mim, homem existe de sobra nesse mundo. Eu digo isso por experiência própria. De todos os tipos, tamanhos, sabores e variedades, em toda parte. Se você tem problemas para achar alguém, o problema não é com a baixa no mercado, é com você, que deve ser chata pra caramba ou completamente insuportável. NUNCA na história da humanidade teve falta na oferta de homens querendo mulheres. E eles estão cada vez mais fáceis, o que é deplorável, mas é verdade (se eles podem dizer isso sobre nós, o que também é verdade e igualmente deplorável, nós também podemos dizer isso sobre eles). Mas não fique aí deprimida com isso, porque a máxima de que nenhum homem presta é falsa. Tem muito homem despreocupado que serve apenas para noites e dias solitários (muitos mesmo). Mas também tem muito homem atrás de uma companheira de verdade, homens fofos, carinhosos e atenciosos. De novo, a verdade vale para os dois lados, porque pra cada mulher romântica e fofa, também tem muita garota querendo apenas uma noite divertida, e particularmente eu não vejo problema em nenhum dos casos, para ninguém, desde que ninguém esteja se iludindo.
2. Pelo sexo. É, eu sei. É lindo e maravilhoso ir para a cama com alguém que se importa com você, alguém com quem você tem intimidade e tudo o mais, e se é isso o que você quer, de novo, você pode arranjar isso com outras pessoas. Tem muito homem por aí, você não precisa ficar engolindo grosseria, nem aceitando julgamentos apenas por apego a uma coisa boba. Claro que você também pode curtir sexo apenas por sexo, que vamos admitir, também é maravilhoso, e nesse caso não sei o que está te segurando. Sabe, passei a vida ouvindo das pessoas que eu supervalorizava sexo. Posso dizer? É exatamente o contrário. Eu gosto sim de sexo, muito. Já me tranquei finais de semana inteiros em um quarto e acho que é uma coisa para se fazer todos os dias. Mas eu tenho vontade, faço, e pronto. Não torno isso em um fato desproporcionalmente importante, não devo nada a ninguém. É uma coisa que eu gosto, faço e pronto. Não vejo nada de supervalorização nisso. Agora quando alguém julga alguém por isso, eu acho que é essa pessoa que dá importância demais para algo particularmente normal e insignificante. Eu sou uma garota nova, inteligente, bonita, divertida, bem-humorada, bem-sucedida, livre. E a pessoa passa por cima de tudo isso e vem me julgar e me rotular pela maneira como eu lido com uma foda ocasional, ok. EU supervalorizo sexo. Ok.
Então, não supervalorize detalhes. Não deixe que algo tão pequeno tenha um peso tão grande em uma decisão como com quem você planeja compartilhar a sua vida, porque isso sim é uma coisa realmente importante, uma escolha que te define muito mais do que a frequência e com quem você está dormindo. Pode parecer difícil para as pessoas imaginarem que alguém fique com outra pessoa apenas pelo sexo, mas não faz muito tempo que eu perguntei para uma amiga porque ela ainda estava com o namorado dela e a resposta foi exatamente essa: pelo sexo.3. Ele é meu melhor amigo. Bom. Estamos aqui falando de namorados. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. E antes que você diga que é impossível ser amiga de ex, eu digo que não é, e que pelo menos dez dos meus namoros que terminaram de forma bizarra e dramática renderam amizades muito importantes na minha vida. Mas mesmo que não seja esse o caso, mesmo que a amizade acabe, sinceramente, ainda acho inválido o argumento de ‘melhor amigo’ se você tem momentos em que fica na merda na companhia daquela pessoa. Dizer que brigas são normais em um relacionamento é a coisa mais estúpida que já ouvi (e que já disse, porque sim, eu já me iludi com isso). Se conforme, se vocês brigam, é porque não são compatíveis. Claro que duas pessoas diferentes, com criações completamente distintas, vão discordar em muitas coisas, mas se vocês derem certo, o respeito, a compreensão e o bom humor jamais vão deixar que isso tome proporções maiores do que deviam, porque vamos ser sinceros, as pessoas têm idéias diferentes sobre diversos assuntos, todo mundo tem, isso é um fato, e não faz sentido brigar por isso. A verdade, a grande verdade, é que se você está feliz, feliz mesmo, nada te atinge. Não importa quantas coisinhas te irritem na outra pessoa, se você realmente quer estar com ela, até elas se tornam adoráveis e divertidas. Se vocês brigam, é porque alguma parte de você não está 100% naquele relacionamento, e nesse caso, para que continuar estendendo uma coisa que na minha opinião não faz o menor sentido se você poderia estar COMPLETAMENTE feliz, seja sozinho, seja com outra pessoa, seja com outras pessoas? Minha melhor amiga eu conheço faz quinze anos. Nunca tivemos uma briga que seja. Outra grande amizade passou os últimos três anos convivendo comigo praticamente todos os dias. Nos víamos com muito mais frequência do que qualquer um dos meus namorados, conversávamos sobre assuntos muito mais polêmicos, e ainda assim não brigamos. Não, você não precisa de um amigo para te deixar triste ou passando raiva, mesmo que seja de vez em quando. Se ele estivesse mesmo do seu lado, não deixaria isso acontecer.
Bem, aprenda que você não precisa se contentar com nada, que você não precisa baixar a cabeça para ninguém, assim como ninguém tem que abaixar a cabeça para você. Você não precisa achar alguém que te ache perfeito e maravilhoso, que te coloque em um pedestal. Apenas alguém que te trate bem e te faça bem, independente dos seus trinta mil defeitos.
Também não aguento esse mito de que mulher que se valoriza é aquela que se mete em uma burca, se tranca em casa, cruza as pernas e diz ‘não’ para todo mundo até que algo seja oficializado. Sabe o que é se valorizar? É não se contentar com ninharia. Todas as pessoas têm o seu valor, e ninguém pode se colocar tão pra baixo a ponto de aceitar alguém que não te trate como prioridade, que não te olhe nos olhos, te ouça e se preocupe em não te machucar. Você merece sim, tudo, o pacote completo, e qualquer idiota que faça você sentir, mesmo que por uma fração de segundo, que não é especial, é um atraso de vida.
Claro que eu entendo o lado apaixonado. Quem nunca se submeteu a um desses amores maltrapilhos? Todo mundo. Já enfrentei bico por uma noite inteira porque estava com um short curto demais para ele, já me fizeram me sentir muito, muito, muito, muito mal por causa da minha simples vontade de fazer sexo (sim, existe homem trouxa a esse ponto), já cheguei ao absurdo de me separar de amigos que sempre estiveram ao meu lado por ciúmes de um garotinho inseguro. Já me coloquei naquela posição em que eu estava ao lado de uma pessoa incapaz de me fazer me sentir amada ou segura. Gente que despedaçou minha auto-estima e sempre foi incapaz de compreender minhas paixões, me fazendo me sentir como se eu nunca fosse boa o suficiente. E não fui a única. Tantas já cometeram esse erro… E só depois, muito depois, é que a gente descobre como são definitivas as cicatrizes. E sabe o que mais? Sabe esse amor louco, desenfreado, que parece que só vem uma vez na vida? Vem milhares de vezes. E cada vez a gente acha que é único, que é pra sempre, que vale a pena. Querida, nada vale um segundo de infelicidade. Sabe? Sorria. Daqui dois segundos você está em outra, com uma pessoa que te trata muito melhor, com alguém que te faz muito bem, sem nem lembrar o nome daquele outro erro que não faz muito tempo era toda a sua vida.
O que importa é isso: há muito tempo eu defini um objetivo de vida. Apenas um: ser feliz. Então entende que não importa se o mundo vai aceitar ou não, não importa se amanhã vai ter outro na sua cama ou não, o que te faz mal, tem que ser cortado fora. Por que estar sozinha é considerado algo tão terrível? Não é. E se você é uma dessas pessoas que não sabe ser feliz sozinha, então desiste, você não vai ser feliz nunca. E tem mais, se nas piores horas, se nas maiores fossas, ele não consegue te fazer sorrir, esquece.Procure sempre algo melhor.
Vence na vida quem ri por último, não é isso o que falam? Então, se você não é completamente feliz, desculpe, você falhou NA VIDA. -
-É, para mim isso daí é viadagem. Não acredito na versatilidade do uísque bosta nenhuma. Aliás, não acredito na versatilidade de nada. Uísque bom é uísque puro, homem bom é homem na cama cheio de tesão, carne boa é carne sangrando.
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Love for sale
Pago o que for. Estou precisando novamente daquele sentimento bobo. Depois que você sente uma vez, vicia. Cansei de ouvir que sou uma garota fácil. Que sou “muito de boa”. Quem não é, quando não está se sentindo nada? Como ser grudenta, ciumenta ou sentir falta quando não está se gostando muito de ninguém? Adoro minha falta de carência. Adoro ser solta. Mas as vezes cansa. As vezes cansa essa coisa de “qualquer coisa serve”. As vezes cansa essa coisa de não ter alguém que você precisa ver, alguém com quem você precisa estar, o tempo todo. Aquele friozinho na barriga gostoso que dá na gente só da nossa pele encostar na do outro.
Tô querendo aquelas tardes calmas tomando uma cervejinha na varanda ouvindo Bon Jovi’s 80’s. Finais de semana inteiros enclausurados em um quarto fazendo amor e bebendo uísque, sem nem ver o tempo passar. Ver a cidade do alto de um prédio, abraçados, sentindo a insignificância dos outros perto dessa nossa felicidade tão gigantesca. Me perder no meio de uma cidade estranha em plena quarta-feira de trabalho, apenas porque a gente queria fazer alguma coisa diferente. Juntos. Aquele cigarrinho compartilhado depois de uma foda, olhando para as estrelas, achando que não tem sensação melhor no mundo. Beijos molhados debaixo da chuva (bem clichê mesmo), e sexo desesperado depois de uma semana sem se ver. Olhar fundo nos olhos um do outro e finalmente encontrar aquela empatia única que ninguém mais pode te oferecer. Rir por motivo nenhum em uma manhã quente, tomando café na beira do lago, enquanto metade da cidade ainda dorme. Aquele “eu te amo”, berrado, que esteve tanto tempo preso na garganta. Tô querendo alguém pra acabar com a mesmice de rostos, esse desfile de gente tão igual, tão moderna, sempre querendo ser diferente, e por isso mesmo sendo tão normal, tão a mesma coisa que todo mundo. Quero aquela simplicidade, aquela química que dá certo, aquela coisa divertida, sem brigas, sem drama, sem gente atrapalhada, sem esses retardados sentimentais que não sabem o que fazer com o coração dos outros e saem por aí espalhando cicatrizes em todo mundo, como se fosse uma forma estúpida de marcar a caça. Eles e seus abatedouros, suas artimanhas, seus joguinhos. Nunca fui muito boa neles, inclusive. Nunca soube brincar de me fazer indisponível, nunca soube me conter para passar aquela imagem de menininha nos primeiros encontros. Sempre fui um livro aberto e me achava sempre superior por isso. Vai ver era eu quem estava fazendo tudo errado. Vai ver as pessoas precisam disso, precisam interpretar esses papéis para conquistar alguém, precisam impressionar com todo aquele falso controle e puritanismo vitoriano.
Sei que estou aí, vivendo cada dia de uma vez, com a calma que sempre tive, sempre tentando achar algo mais interessante. Até agora, nada realmente fez meus olhos brilharem daquele jeito de novo. Ninguém me passou aquela vontade louca de pegar o telefone e pedir para passar o final de semana juntos, só nós dois, fazendo sei-lá-o-que. Ninguém mais conseguiu fazer com que eu sentasse e abrisse meu coração, contando aqueles segredos bobos que eu só conto pra quem eu realmente quero que me conheça. Ninguém me fez me sentir segura, como se eu tivesse alguém com quem contar para o que quer que fosse, alguém para me socorrer na hora que fosse.
E enquanto isso meu amor é vendido mesmo. Meu lado meigo fica guardado para alguém especial, mas eu ainda insisto em sorrir e compartilhar bons momentos com quem eu acho que vale a pena. Vendo tudo o que posso por uns minutos de felicidade boba, despreocupada. Vendo por meia dúzia de palavras bonitas, por um elogio mais floreado. Vendo esse meu lado mais “menininha” por uma noite tranquila, por um par de olhos que me segue para todos os lados. Amor não se dá de graça. Eu pelo menos, cobro o preço que acho justo, e o que eu estou oferecendo agora, não está lá valendo essas coisas. Mas eu dou o que cada um pode pagar. Dou a diversão, as risadas, e tudo o mais enquanto estamos juntos. O resto, ainda é meu. Permito que alguém se aproxime se achando extremamente interessante e inovador, porque no fundo todos nós gostamos de pensar isso sobre nós mesmos, apesar de raramente ser verdade. Permito que alguém se ache o rei do universo, superior aos outros, porque de novo, a gente gosta disso. Deixo que cada um saia pensando o que quer de si mesmo, com a consciência eterna de que no fundo, eu sou apenas mais uma, uma distração temporária, mas que pelo menos quando estamos juntos, eu sou mais do que suficiente, sou a rainha da cama, sou a única que poderia estar ali, e mais nenhuma outra. Apenas eu posso dar a eles aquilo que eles procuram em mim, que eu não sei realmente o que é. Não sei se é a despreocupação, se são as risadas, os momentos de descontração, ou algum motivo mais canalha. De vez em quando aparece uma luzinha no fim do túnel, um alguém que parece ter algum futuro, mas vai saber? Eu não estou muito no clima de ficar me arriscando para terminar com a cara no chão. Enquanto não vem a certeza, eu prefiro manter a distância. Sei que enquanto não tiver ninguém que queira nada mais, eu também não quero. Até porque, ainda tenho essa minha inabilidade de desenvolver sentimentos profundos por gente rasa, e bem…