1. Foi uma coisa louca. O amor gentil, o toque suave, o olhar prolongado. Quem é que ainda me olhava desse jeito carinhoso? Ainda existem corações nesse mundo sanguinário? Ainda existe calma, nesse tumulto diário? Ainda se fala em amor?

    Cada um crê no que quer. Nesses tempos de ceticismo, tentei passar a vida atrás de uma máscara. Uma fantasia de estoicismo, de desapego.  Me diz mais uma vez que tudo vai ficar bem. Me diz mais uma vez que somos eternos nessa nossa aventura. Aventura de paixão, de pele, de sorrisos. Me diz que a felicidade é real.

    Amor… Quem foi que me disse uma vez que era tudo uma ilusão? O que é que eu repetia insanamente para todas as tentativas frustradas? Que era um mero construto social dos tempos modernos para abafar a eterna condição solitária das pessoas? Quem é que aquela minha cara de blefe enganava? 

    A vida segue. Mais uma vez eu grito que foi tudo uma grande farsa. Minha verdade é uma: sou uma romântica. Sou daquela geração de Álvares de Azevedo, hiperbólica, megalomaníaca, dramática. E agora, mais uma vez é diferente. E pela primeira vez eu sinto essa certeza aqui dentro. Pela primeira vez é suave, mesmo quando não é.

    4 weeks ago  /  0 notes

  2. Dois

    Eu te procurei por ai, em todos os rostos e em tantas esquinas da vida. A moça não tinha como imaginar que te encontraria ali, esparramado na nossa cama, no meio das cobertas, cheio de boas vontades, de longos e quentes carinhos, de sorrisos contidos e raras risadas. Minha megalomania, meu pecado por excessos, dramas, vozes altas, gargalhadas reviberantes e descontroles jamais pode conceber a ideia de atrair sensatez. No entanto, aqui estamos. Dois bobos. Duas crianças novamente. Dois sonhadores. Dois românticos. Dois apaixonados.

    4 months ago  /  0 notes

  3. Se as paredes falassem, se os segredos protegidos pela segurança do quarto fossem descobertos e aqueles sussurros fossem revelados…

    A obviedade é um sem fim de sordidez e encontros escusos, de coisas fáceis, falta de significado, vários e repetidos rostos intimidados. Muita diversão, algumas garrafas jogadas pelo chão, roupas esquecidas em um canto. Aquela embriaguez que ajuda tudo a ficar mais confortável, que força uma intimidade inexistente. A velha receita repetida todas as noites por tantos e tantos anônimos que procuram uma fagulha de emoção.

    Mas ali, no meio desse sem fim de desencontros, de enganos e infortúnios, também é possível ver uma manhã de sábado sorridente, raios de sol entrando despercebidos pelas persianas, iluminando dois corpos exaustos jogados no meio dos lençóis. É possível ouvir aquela velha conversa sobre nada e sobre tudo, o papo de travesseiro tão conhecido por todos os bobos que sonham com corações acelerados e carícias fiéis e companheiras.

    O que a madrugada escondeu, o que o afoito, o desesperado frenesi por um primeiro contato fez desajeitado, ainda que bonito e único, o tempo fez íntimo, fez calmo, fez palpitante, fez trepidante.

    8 months ago  /  0 notes

  4. Não quero ninguém que ache meu passado bonito. Não quero ninguém que me pergunte nomes, números, se fiz ou não fiz. Quero alguém que entenda que sou um resultado de um sem fim de erros, tropeços, engasgos, sorrisos compartilhados, momentos divididos. Tem gente que ajudou na construção dessa garota. Tem gente de quem eu nunca vou largar mão. Mais: o fato de eu ter cometido erros no passado não quer dizer nada. Se isso tudo tem algum significado é apenas que os vivi, e agora, com a distância necessária, sei reconhecer que foram erros.

    9 months ago  /  4 notes

  5. A gente naquele quarto alugado, com um charuto pela metade esquecido em um canto. O paletó surrado no sofá, a menina com olhar blasé esquecida na varanda e o corpo de um quase-príncipe jogado na cama. O sentimento era demais para aqueles poucos metros quadrados, deixando tudo irrespirável, 24h por dia, dia após dia, até que o esconderijo do amor explodiu e o que sobrou foram resquícios de um carinho eterno.

    11 months ago  /  1 note

  6. Chapter 1 (drafts and scrambles)

    “Ninguém sabia se divertir como ela. Ela cantava dormindo, coloria o céu de tantas cores, acordava sorrindo, escrevia sobre estrelas, mas ainda assim…”

    Todo mundo que a conhecia sabia do seu problema crônico de confianças, de medos, de inseguranças. Caçou mais de mil canalhas, colecionou amores frustrados.  A cama que menos frequentava era a sua. A cena mais clichê dessa cidade era entrar em uma festa ou em um restaurante e vê-la com algum desconhecido, sempre um rosto diferente, com os braços ao seu redor. A risada escandalosa, o brilho nos olhos… Fazia barulho, era uma pequena menina dentro da cabeça de uma mulher.  Como os iguais se entendem, era também uma canalha, fazendo tudo o que não devia, desmerecendo sentimentos mais nobres e desrespeitando solenidades. Não sabia levar nada nem ninguém a sério, até que…

    Eu nunca odiei tanto a minha fama. Eu, que nunca me preocupei com o que ninguém pensava, porque nunca fiz questão da aprovação nem do amor de ninguém, me vi encurralada. Por dois meses o coloquei dentro de uma bolha. Passávamos os finais de semana na chapada, enfrentando a solidão. Ele achava que era minha paixão por aqueles cenários paradisíacos, pelo isolamento. Não era. Que o sol brilhasse mais forte do que em qualquer outro lugar ou que o som desaparecesse ali no horizonte, isso era detalhe. Eu só queria acordar todos os dias ao seu lado, e não tinha nada que fosse fazer um conservador como ele suportar o peso do meu nome.

    Não o apresentei a nenhum dos meus amigos. Ninguém que pudesse gritar a verdade, que ele estava cometendo um erro. Foi bem assim mesmo. Dois meses trancados no nosso mundinho. Não vou ficar aqui falando sobre os sorrisos bobos, sobre ele afastando aquela mecha teimosa dos meus olhos, dos beijos no pescoço, dos sussuros no meio da noite, da vontade que nunca tinha fim. Não vou falar de todas as vezes em que você me acordou no meio da noite apenas para dizer “eu te amo” e me dar um abraço mais forte. Isso não se fala. Não se fala de todas aquelas brincadeiras bobas de adolescente que nos faziam ficar ali, para sempre, escondidos nos nossos 20 metros quadrados, sem nem ver o tempo passar, sem saber se despedir, sem saber pensar em mais nada.

    E enquanto isso acontecia, enquanto nossa vida se fechava, o mundo lá fora mudava.  O mundo lá fora acabava. Pegava fogo. Eu não senti falta. No início. Naqueles dois meses de maravilhas, de café da manhã na cama, de noites enfrentadas acordados, de filmes estranhos, de tanto carinho. E ai o contato inicial. Aquele jantar. Lembro como se fosse hoje.  Você só queria comemorar o meu grande dia, minhas conquistas. Eu tive um pressentimento tão ruim. Dei um pulo da cama e pedi para a gente pegar a estrada. Você riu e falou: “amanhã a gente precisa trabalhar”. Eu não queria te ouvir, só pedia, implorava, “vamos embora”.

    E então, meia hora depois, lá estávamos nós, no restaurante que você achava que eu iria amar. Eu já conhecia aquele lugar, meu bem. Já tinha sentado naquela mesa, com tantas outras pessoas, pedido o mesmo vinho, ouvido a mesma piada sobre o nome do restaurante. Já tinha até um sinal combinado com o garçom, para quando o encontro não rendia e eu queria fugir desesperada. Pior: eles também conheciam isso tudo. Sim, “eles”, os meus amigos, as pessoas que passaram quatro anos suportando minhas loucuras, minhas bipolaridades e minhas insônias.

    Lá estava eu, fazendo de conta que estava adorando tudo, fazendo de conta que nunca tinha comido aquele prato, que não conhecia o vinho, que tinha me surpreendido com minha música predileta tocando no lugar, sendo que o CD tinha sido um presente meu para o dono. Trinta minutos depois, chegam “eles”.

    Ricardo, com seu bom senso, me olhou de longe, sorriu, e sentou em uma mesa. Acendeu o cigarro e soprou na minha direção, me tentando. Fazia mais de um ano que eu tinha parado. Rodrigo, quando me viu, ficou feliz. Quando viu que eu estava acompanhada, fechou a cara. Fernandinha, Paty Zen e Tiago me viram, mas me ignoraram.

    A mesa estava insuportável, eles ficavam ali, fazendo barulho, fumando, bebendo, comendo, falando sobre todas aquelas pessoas que eu tinha esquecido, reclamando dos filmes entediantes que tinham visto durante o dia, procurando alguma festa interessante, na casa de algum fulano, para melhorar a noite.

    E então Rodrigo levantou. Foi até o balcão e pegou uma garrafa de uísque, puxou uma cadeira e sentou bem no meio de nós dois, do casal quieto, na extremidade do restaurante. Me ofereceu um cigarro. Eu fiquei ali, te olhando, e você falou para eu me sentir a vontade. Dei o primeiro trago e meu corpo inteiro pareceu liberar a tensão acumulada na última hora. Ele encheu três copos, e bebemos como se nunca tivéssemos bebido antes.

    Acordamos no tapete de uma sala desconhecida, na casa de não-sei-quem, e nos arrastamos, derrotados, para nosso quarto, nosso porto seguro. Era para ter parado ai. Nosso fogo ardia. Você, assim como eu, tinha um passado, e quando vi, estávamos os dois no fundo do poço. Como tolerei suas noites de cocaína e seu legado de miséria é um mistério.

    1 year ago  /  0 notes

  7. SMACK!

    Já pode fazer um post cafona, brega e mega sentimental? Amo vocês. Vocês três. E por que isso agora, vocês perguntam? Não tem muito explicação não…

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    Amo porque tava aqui, em um pequeno inferninho de desespero e comecei a rir loucamente em trinta mil mídias sociais, por causa dessas nossas manias de “loucuras a qualquer hora”. 

    Amo porque é por causa de vocês que carrego meu celular 24hs ligado, sempre checando pra ver se tem alguém falando alguma coisa. Sim, por causa de vocês, não por causa de nenhum homem (tadiiiinhos) que acha que algum dia vai ser tão importante quanto vocês.

    Por que já tive dias em que tudo, tudo foi horrível. Teve dias em que queria chegar em casa, me afundar na cama e chorar, do tanto que as pessoas conseguem ser ruins com a gente, mas daí vinha uma daquelas pérolas de vocês, vocês que não tem fim, não tem começo, vocês que me fazem rir das coisas mais sem sentido, mais improváveis, das desgraças alheias, da falta de bom senso desse mundo, dos absurdos, de tudo. 

    Amo porque poxa… Quem mais me proporcionou momentos tão loucos, tão divertidos, daqueles que as vezes eu conto para alguém e NINGUÉM acredita? Quem mais? Poxa…

    Amo porque não tem igual… Porque nas minhas burradas, nas minhas recaídas de amor, nas minhas vontades sem explicação, nos meus desejos questionáveis, nas minhas saudades, nas minhas carências, nas minhas saudades, nos meus momentos solitários, nas minhas dúvidas, nas minhas indecisões, nas minhas conquistas, nas minhas espontaneidades, nos meus sonos… Sei lá, cara… No pôr e no nascer do sol, no almoço, no café da manhã, no jantar, em Sampa, no Rio, em Bsb… porque sempre, sempre, sempre eram vocês, ali. 

    Não tem ninguém pra quem posso contar nada como posso contar para vocês. Pra vocês que sabem tudo, tudo, TUUUDO o que eu curto, em todos os sentidos possíveis, pra vocês que de manhã só dá frans, e todo aquele meu ritual de pedir, isso, aquilo, sentar naquela mesa por isso e aquilo, mesmo que esteja frio, que sabem que quando vem aquele perfume, tá na hora de olhar pro lado e procurar. Pra vocês que já tiveram longas conversas, altamente detalhadas comigo na mesa do out back em uma noite, em que eu descobri que não era a garota mais estranha do mundo, porque tem outras duas estranhas que pensam e querem experiências como as minhas, pra vocês que sabem qual perguntinha do garçom que me faz surtar sempre que estou comendo em um restaurante. Pra vocês que conhecem o ponto da minha carne, que sempre tomam o restinho da minha cerveja quando a gastrite ataca (aliás, pra vocês que me aguentaram tantas vezes: hoje não dá, tô passando mal). Pra vocês que sabem que de vez em quando eu faço burradas e começo a olhar fotos estúpidas (não, ainda não apaguei). Pra vocês que me fazem sorrir com cada conquista de vocês como se fossem minhas. Pra vocês que conversam sobre qualquer coisa, que tem opiniões sobre tudo e sempre deixam meu dia mais bonito. Pra vocês que são lindos, que se destacaram em um mundo de gente chata, sem graça, desinteressante. Pra vocês que sempre tem ânimo para fazer qualquer coisa. Pra vocês que me aguentam falando sobre um filme durante meses sem parar, pra vocês que me mantem rindo nos dias ruins, e que comemoram comigo nos dias felizes. Pra vocês, que adoro pela mente aberta, pela vontade inesgotável de experiências novas. Pra vocês que eu espero que não sumam, que não me tirem o privilégio de continuar tendo do meu lado todos os dias. Pra vocês que sempre precisam aguentar os malas que eu arranjo (se bem que só apresento os legais para vocês, vaaaai!), e que sempre me dão o selo de aprovação antes de eu sequer começar a pensar em levar alguém a sério. Pra vocês que precisam ouvir detalhes estúpidos sobre sei lá quantos caras, e que nem se impressionam mais com nenhuma das besteiras que eu digo…. porque no fundo vocês falam até mais do que eu. Porque até hoje nunca consegui ser mais “eu” com ninguém do que com vocês. Porque se eu acordo sem o bom dia de vocês, meu dia já fica meio estranho. Porque falo de tudo, de coisas inconfessáveis a qualquer outra pessoa, e vocês me fazem rir, mesmo corando de vergonha. Porque um dia tivemos a infeliz ideia de fazer um joguinho de verdades em uma festa, e daí para a frente falamos verdades demais. Porque vocês são os loucos mais sensatos que já conheci.

    Pro Rapha, que vai ensinar meus filhos a falar palavrão, que vai carregar para o teatro, que vai me ajudar a ensiná-los a amar os clássicos do cinema. Que vai cuidar da catapora, que vai ficar do lado do meu marido em todas as nossas brigas (porque tenho a impressão que eles irão se amar, ou pelo menos é o que espero), que vai me receber na sua casa, lá em Copacabana umas três vezes por ano. Meu próximo Woddy Allen (no quesito humor, com certeza) que irá fazer de nossas vidas um grande dramalhão para a televisão. Acho que vai ter uma fase meio chata… meio Godard…que perdoarei pois amo loucamente.

    Pra Erica, que me conhece melhor que qualquer pessoa nesse mundo, com quem falo diariamente, com quem divido muitas coisas…. (muitas coisas mesmo!) Com quem tive meus momentos mais retardados, e o mais importante, mais divertidos até hoje. Capaz de me fazer rir sem esforço nenhum. Tadinha. Fico rindo até dela sofrendo. Seja com os soluços, com o homem-aranha, com pesadelos, com a unha, com o cabelo… Amo. Amo, amo, amo. Me aguenta DEMAIS. 

    Pra Camila, a pessoa mais criativa que conheço, que sempre tá aí, dando grandes ideias, querendo fazer sempre tudo de um jeito diferente, tirando o tédio da vida. Que é uma fofa, um liiiiinda, sempre pensando na gente! Que tá sempre a uma mensagem de distância, para socorrer nas horas do desespero. Que sempre topa minhas ideiais loucas e de última hora, do tipo: “Temos vinte centavos no bolso… bora almoçar no outback? Tô passando ai em cinco minutos ;)” Quebrando tabus e barreiras culturais, pois é a única pessoa que não curte muito uma carne, mas que eu amoooooooo!

    Pensem no amor e não me matem pelas fotos ;)

    E ignorem o corte tosco, preciso terminar minha monografia hoje =P

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    1 year ago  /  0 notes

  8. To every new kid waiting to mess with my head

    Não me obedeça sempre. Eu adoro ser contrariada. Não herde aqueles velhos hábitos dos nossos pais, de deixar as coisas passar. Não quero alguém que me suporte, que me ature, que me faça concessões. Quero alguém que se imponha e que saiba exatamente o que quer.  Tenho minha vida própria, o que significa que quando eu digo: “Passei o dia inteiro pensando em você” (e acredite, eu digo isso sempre), a verdade é que eu não pensei em você em nenhum momento do meu dia, mas quando te vi fiquei desesperada à mera realização de que o dia inteiro foi desperdiçado sem você ao meu lado. Pode não ser verdade, mas é o que eu sinto.

    Me abrace mais. Minta mais, falando sobre minha beleza estonteante e meu sorriso. Amo meu sorriso e amo quem o nota. Não seja permissivo com as palavras. Não me engane. Não sinta necessidade de mentir. Não ligo se você fuma, se você pegou três loirinhas na noite passada, se bebeu até lamber o chão, se prefere passar o final de semana com seus amigos do que comigo. O que me irrita, o que me tira do sério, é não saber de nada disso. É me sentir como se estivesse fazendo o papel de otária, sem ter a menor ideia do que você anda fazendo com sua vida, achando que eu sou prioridade quando na verdade sou apenas uma diversão.

    Você é apenas uma diversão. Aceite isso, o quanto antes melhor. Pode ser que eu sinta saudades daquele seu abraço reconfortante. Pode ser que eu passe noites e noites adormecendo apenas nos seus braços e te chamando de “meu bem”. Admito que são poucos os que ocupam esse espaço na minha vida, assim como são raríssimos os que conseguem ver o meu lado carinhoso, que guardo a sete chaves. O caso é que no fundo, você é passatempo, assim como eu sou para você. O que eu levo a sério é tão grande, tão enorme, que se fosse você, acredite, o mundo inteiro saberia. Quando eu levo a sério as coisas escalam a um nível desesperador, e eu te faço não apenas a pessoa mais feliz do mundo, mas me entrego em níveis que chega me assustam. Então, não. Você não é “ele”. Você é mais um. E não se preocupe, não fique queimando neurônios com isso. Esse tipo de coisa depende exclusivamente de mim, não há nada que você possa fazer para mudar. E aproveite. Ser apenas minha diversão já é algo inesquecível.

    De forma prática e sincera: eu sou insuportável. Passei minha vida me cercando de homens que me veneravam, o que significa que sou mimada e estupidamente confiante. Eu não aceito migalhas. Sou daquelas que mesmo quando te dá as costas, espera que você apareça de surpresa me abraçando. Gosto de surpresas, de gentilezas, de elogios, de gente que pensa em mim 24h. Que sonha comigo. Que me quer o tempo todo. Gosto de gente que abre portas, que está sempre com os braços ao meu redor, que me puxa pela cintura, que sussurra delicadezas no pé do ouvido, que me come como se fosse seu último dia de sua vida e eu fosse a mulher mais espetacular do planeta.

    Para esclarecer: Não sei dividir. Eu sou mesmo chata. Coloco etiquetinhas em potes de iogurte na geladeira, e tenho o meu lado na cama. Mas uso suas roupas, seu gel para cabelo, sua pasta de dente, como sua comida, mudo o canal da televisão quando você está assistindo um filme – bem na parte mais dramática-, não deixo que folheie os meus cadernos… Mas aprenda a lidar e seremos uma daquelas duplas insuportáveis que está o tempo todo rindo, brincando um com o outro e fazendo piada com tudo.

    E sim, me surpreenda, o tempo todo. Sou do tipo que passou os últimos cinco anos revirando essa cidade, conhecendo cada buraco e cada personalidade diferente. Já conheci a vista mais bonita da cidade, já encontrei aquele xamã no alto de um monte em Cavalcante, já comi morango assistindo a uma encenação genial de Para onde vão os trens. E sim, morro de tédio do comum, do rotineiro. Não entendo gente que vai sempre nas mesmas festas, com as mesmas pessoas. Gosto de mesclar minha semana. Saio todos os dias, sempre com alguém diferente a tira colo. Vou pro samba, pro house, pro jazz, pro chorinho, pro blues, pro sertanejo, pro teatro. Já andei com esses senhores que se trancam para assistir e discutir de óperas, já participei de pelo menos três clubes de leitura diferentes. E não, não esgotei essa cidade. Gosto de escalar, de fazer SUP em manhãs ensolaradas, de correr na areia, de dirigir um 4x4 no meio da lama. Nunca tive paciência para TV, então por favor, não me chame para ficar de preguiça no sofá. Me leva pra ver a vida lá fora, me leva pra viver debaixo do Sol.

    1 year ago  /  0 notes

  9. So damn wrong

    Sou a mulher errada. Preciso de novidades, senão perco o interesse. Preciso de clichês para achar que é sincero. Torço por vilões, adoro ser contrariada e bebo. Fumo. Durmo uma média de três horas por noite durante a semana. Trato minha ansiedade com comida. Até hoje falo com todos os meus exs. E meeeu, quantos exs são! Já fui babaca. Já fui cínica. Já fui canalha. I’m a mess. Só sou interessante para os homens por causa dos meus daddy issues que fazem com que eu procure desesperadamente por aprovação masculina. Me faço de distante mas a verdade é que sou uma medrosa incurável. Sou uma romântica insuportável. Com direito a todas as breguices. Até vozinha de bebê.

    Falando em medos, adoro colecionar traumas. Tenho pavor de silêncios absolutos, de me entregar e de depender de outras pessoas. Tenho medo de me apaixonar, de me machucar e de fazer papel de boba. Não suporto loiras. Enfim, a menininha confiante virou uma mulher bobinha cheia de inseguranças e problemas. Igual todas as outras… Eu até me faço de poderosa, mas no fim do dia ainda quero adormecer nos braços de alguém que sussurre no meio da noite no meu ouvido ‘eu te amo’.

    Sou dessas que enche a cara e vem escrever e confessar essas coisas que me ocupam os pensamentos mas que não admito para ninguém.

    Estou tentando me recuperar. Procurando praticar moderações e auto-controle. Quero ver se tenho conserto. Mas acho que sim, desde que não tenha nenhuma crise de desesperos por agora. Drama free, como era. Será que rola?

    1 year ago  /  0 notes

  10. When sex is everything

    Se seu homem pede para você trocar de roupa porque ela não é apropriada, troque seu homem, ele não é apropriado para você.

    De vez em quando eu me revolto e pareço uma chata feminista, mas pra ser sincera, acho até as feministas chatas. Na realidade, acho quase todo mundo chato. Mas vai me dizer que você tem paciência com as garotinhas submissas que nos cercam?

    Minha revolta não são as mulheres maduras que abrem mão de certas coisas conscientemente em um relacionamento, assim como seu parceiro abre mão de outras, embora eu também tenha um pouco de problemas com isso. Meu problema é com a estupidez de ser infeliz em um relacionamento e aceitar isso.

    1. Medo de ficar sozinha. Querida, vá por mim, homem existe de sobra nesse mundo. Eu digo isso por experiência própria. De todos os tipos, tamanhos, sabores e variedades, em toda parte. Se você tem problemas para achar alguém, o problema não é com a baixa no mercado, é com você, que deve ser chata pra caramba ou completamente insuportável. NUNCA na história da humanidade teve falta na oferta de homens querendo mulheres. E eles estão cada vez mais fáceis, o que é deplorável, mas é verdade (se eles podem dizer isso sobre nós, o que também é verdade e igualmente deplorável, nós também podemos dizer isso sobre eles). Mas não fique aí deprimida com isso, porque a máxima de que nenhum homem presta é falsa. Tem muito homem despreocupado que serve apenas para noites e dias solitários (muitos mesmo). Mas também tem muito homem atrás de uma companheira de verdade, homens fofos, carinhosos e atenciosos. De novo, a verdade vale para os dois lados, porque pra cada mulher romântica e fofa, também tem muita garota querendo apenas uma noite divertida, e particularmente eu não vejo problema em nenhum dos casos, para ninguém, desde que ninguém esteja se iludindo.

    2. Pelo sexo. É, eu sei. É lindo e maravilhoso ir para a cama com alguém que se importa com você, alguém com quem você tem intimidade e tudo o mais, e se é isso o que você quer, de novo, você pode arranjar isso com outras pessoas. Tem muito homem por aí, você não precisa ficar engolindo grosseria, nem aceitando julgamentos apenas por apego a uma coisa boba. Claro que você também pode curtir sexo apenas por sexo, que vamos admitir, também é maravilhoso, e nesse caso não sei o que está te segurando. Sabe, passei a vida ouvindo das pessoas que eu supervalorizava sexo. Posso dizer? É exatamente o contrário. Eu gosto sim de sexo, muito. Já me tranquei finais de semana inteiros em um quarto e acho que é uma coisa para se fazer todos os dias. Mas eu tenho vontade, faço, e pronto. Não torno isso em um fato desproporcionalmente importante, não devo nada a ninguém. É uma coisa que eu gosto, faço e pronto. Não vejo nada de supervalorização nisso. Agora quando alguém julga alguém por isso, eu acho que é essa pessoa que dá importância demais para algo particularmente normal e insignificante. Eu sou uma garota nova, inteligente, bonita, divertida, bem-humorada, bem-sucedida, livre. E a pessoa passa por cima de tudo isso e vem me julgar e me rotular pela maneira como eu lido com uma foda ocasional, ok. EU supervalorizo sexo. Ok.
    Então, não supervalorize detalhes. Não deixe que algo tão pequeno tenha um peso tão grande em uma decisão como com quem você planeja compartilhar a sua vida, porque isso sim é uma coisa realmente importante, uma escolha que te define muito mais do que a frequência e com quem você está dormindo. Pode parecer difícil para as pessoas imaginarem que alguém fique com outra pessoa apenas pelo sexo, mas não faz muito tempo que eu perguntei para uma amiga porque ela ainda estava com o namorado dela e a resposta foi exatamente essa: pelo sexo.

    3. Ele é meu melhor amigo. Bom. Estamos aqui falando de namorados. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. E antes que você diga que é impossível ser amiga de ex, eu digo que não é, e que pelo menos dez dos meus namoros que terminaram de forma bizarra e dramática renderam amizades muito importantes na minha vida. Mas mesmo que não seja esse o caso, mesmo que a amizade acabe, sinceramente, ainda acho inválido o argumento de ‘melhor amigo’ se você tem momentos em que fica na merda na companhia daquela pessoa. Dizer que brigas são normais em um relacionamento é a coisa mais estúpida que já ouvi (e que já disse, porque sim, eu já me iludi com isso). Se conforme, se vocês brigam, é porque não são compatíveis. Claro que duas pessoas diferentes, com criações completamente distintas, vão discordar em muitas coisas, mas se vocês derem certo, o respeito, a compreensão e o bom humor jamais vão deixar que isso tome proporções maiores do que deviam, porque vamos ser sinceros, as pessoas têm idéias diferentes sobre diversos assuntos, todo mundo tem, isso é um fato, e não faz sentido brigar por isso. A verdade, a grande verdade, é que se você está feliz, feliz mesmo, nada te atinge. Não importa quantas coisinhas te irritem na outra pessoa, se você realmente quer estar com ela, até elas se tornam adoráveis e divertidas. Se vocês brigam, é porque alguma parte de você não está 100% naquele relacionamento, e nesse caso, para que continuar estendendo uma coisa que na minha opinião não faz o menor sentido se você poderia estar COMPLETAMENTE feliz, seja sozinho, seja com outra pessoa, seja com outras pessoas? Minha melhor amiga eu conheço faz quinze anos. Nunca tivemos uma briga que seja. Outra grande amizade passou os últimos três anos convivendo comigo praticamente todos os dias. Nos víamos com muito mais frequência do que qualquer um dos meus namorados, conversávamos sobre assuntos muito mais polêmicos, e ainda assim não brigamos. Não, você não precisa de um amigo para te deixar triste ou passando raiva, mesmo que seja de vez em quando. Se ele estivesse mesmo do seu lado, não deixaria isso acontecer.

    Bem, aprenda que você não precisa se contentar com nada, que você não precisa baixar a cabeça para ninguém, assim como ninguém tem que abaixar a cabeça para você. Você não precisa achar alguém que te ache perfeito e maravilhoso, que te coloque em um pedestal. Apenas alguém que te trate bem e te faça bem, independente dos seus trinta mil defeitos.

    Também não aguento esse mito de que mulher que se valoriza é aquela que se mete em uma burca, se tranca em casa, cruza as pernas e diz ‘não’ para todo mundo até que algo seja oficializado. Sabe o que é se valorizar? É não se contentar com ninharia. Todas as pessoas têm o seu valor, e ninguém pode se colocar tão pra baixo a ponto de aceitar alguém que não te trate como prioridade, que não te olhe nos olhos, te ouça e se preocupe em não te machucar. Você merece sim, tudo, o pacote completo, e qualquer idiota que faça você sentir, mesmo que por uma fração de segundo, que não é especial, é um atraso de vida.

    Claro que eu entendo o lado apaixonado. Quem nunca se submeteu a um desses amores maltrapilhos? Todo mundo. Já enfrentei bico por uma noite inteira porque estava com um short curto demais para ele, já me fizeram me sentir muito, muito, muito, muito mal por causa da minha simples vontade de fazer sexo (sim, existe homem trouxa a esse ponto), já cheguei ao absurdo de me separar de amigos que sempre estiveram ao meu lado por ciúmes de um garotinho inseguro. Já me coloquei naquela posição em que eu estava ao lado de uma pessoa incapaz de me fazer me sentir amada ou segura. Gente que despedaçou minha auto-estima e sempre foi incapaz de compreender minhas paixões, me fazendo me sentir como se eu nunca fosse boa o suficiente. E não fui a única. Tantas já cometeram esse erro… E só depois, muito depois, é que a gente descobre como são definitivas as cicatrizes. E sabe o que mais? Sabe esse amor louco, desenfreado, que parece que só vem uma vez na vida? Vem milhares de vezes. E cada vez a gente acha que é único, que é pra sempre, que vale a pena. Querida, nada vale um segundo de infelicidade. Sabe? Sorria. Daqui dois segundos você está em outra, com uma pessoa que te trata muito melhor, com alguém que te faz muito bem, sem nem lembrar o nome daquele outro erro que não faz muito tempo era toda a sua vida.

    O que importa é isso: há muito tempo eu defini um objetivo de vida. Apenas um: ser feliz. Então entende que não importa se o mundo vai aceitar ou não, não importa se amanhã vai ter outro na sua cama ou não, o que te faz mal, tem que ser cortado fora. Por que estar sozinha é considerado algo tão terrível? Não é. E se você é uma dessas pessoas que não sabe ser feliz sozinha, então desiste, você não vai ser feliz nunca. E tem mais, se nas piores horas, se nas maiores fossas, ele não consegue te fazer sorrir, esquece.

    Procure sempre algo melhor.

    Vence na vida quem ri por último, não é isso o que falam? Então, se você não é completamente feliz, desculpe, você falhou NA VIDA.

    1 year ago  /  1 note